Cibersegurança deixou de ser apenas uma discussão técnica.
A inteligência artificial está acelerando a transformação digital em praticamente todos os setores. Ao mesmo tempo, amplia a superfície de ataque, aumenta a complexidade dos ambientes corporativos e eleva a pressão sobre líderes de tecnologia, segurança e negócio.
Nesse cenário, a cibersegurança passa por uma mudança importante de posicionamento dentro das organizações. O tema continua técnico na base, mas ganha cada vez mais relevância na tomada de decisões estratégicas relacionadas à continuidade operacional, governança, crescimento e resiliência.
Essa é uma das principais conclusões da análise compartilhada por Luan Barros, diretor de negócios do Gartner, em entrevista concedida à Nova8.
Ao longo da conversa, Luan aborda como a inteligência artificial, a mudança na dinâmica dos investimentos, a evolução das ameaças e a transformação dos processos de compra estão redefinindo a forma como empresas priorizam segurança.
Para a Nova8, única distribuidora da América Latina citada no Gartner Market Guide for IT Distributors (ID G00798286), a reflexão é particularmente relevante: em um mercado cada vez mais complexo, proteger continua essencial, mas traduzir valor para o negócio tornou-se igualmente importante.
A segurança passou a ocupar espaço na estratégia corporativa.
Segundo Luan Barros, a principal mudança observada atualmente não está apenas na evolução tecnológica ou no aumento das ameaças.
Ela está no peso que a cibersegurança passou a ter dentro das organizações.
“A segurança continua sendo um tema técnico na base, mas ela passou a ter um peso muito maior na lógica do negócio. Hoje, discutir cibersegurança é discutir continuidade, exposição, confiança e capacidade de crescer com mais resiliência.”
Essa mudança acontece em paralelo à expansão de aplicações, APIs, cloud computing, automação e inteligência artificial. Quanto mais digitalizada uma organização se torna, maior a necessidade de equilibrar inovação e proteção.
O orçamento mudou de direção.
Um dos pontos destacados por Luan é a mudança na forma como as empresas estão distribuindo seus investimentos.
Segundo os dados apresentados pelo Gartner, os gastos globais com TI corporativa devem atingir US$ 4,8 trilhões em 2026, representando crescimento de 10,5%.
Na América Latina, a projeção de crescimento dos orçamentos de TI é de 6,1%.
Ao mesmo tempo, 80% dos executivos da região esperam aumento de receita em 2026, com média de crescimento de 7,9%.
O que esses números revelam é que o orçamento não desapareceu. Ele foi redirecionado para iniciativas consideradas estratégicas para sustentar crescimento e inovação.
Entre as prioridades destacadas estão:
- GenAI
- Cyber & Information Security
- Inteligência Artificial
Segundo o Gartner, 87% dos respondentes indicam aumento de funding para GenAI, 87% para cibersegurança e 84% para IA.
“IA e cibersegurança deixaram de ser duas agendas separadas. Quanto maior a velocidade de adoção, maior a necessidade de garantir proteção, governança e contexto sobre tudo o que está sendo colocado em produção.”
A ascensão da segurança preditiva.
Outro tema que ganha destaque é a necessidade de antecipar riscos.
Durante muitos anos, a indústria de segurança concentrou esforços principalmente em detectar e responder a incidentes.
Agora, esse modelo começa a evoluir.
Segundo a análise apresentada por Luan, o mercado caminha para uma lógica baseada em antecipação, contexto e prevenção.
Os dados ajudam a explicar essa mudança:
- Os danos anuais causados por ataques impulsionados por IA devem dobrar até 2027.
- O mercado deverá lidar com mais de 1 milhão de vulnerabilidades documentadas por ano até 2030.
Nesse contexto, cresce a importância da chamada segurança preditiva.
“A detecção e a resposta continuam sendo fundamentais, mas o mercado começa a exigir mais capacidade de antecipação. Em ambientes mais dinâmicos, responder depois pode significar responder tarde.”
A expectativa apresentada pelo Gartner é que, até 2029, produtos sem capacidades de segurança preditiva incorporadas percam relevância no mercado.

O que muda para canais, integradores e MSSPs.
As transformações não afetam apenas as empresas usuárias de tecnologia.
Elas também impactam fabricantes, distribuidores, integradores, revendas e provedores de serviços gerenciados.
Segundo a análise apresentada, o processo de compra tornou-se mais complexo.
CIOs e CISOs continuam influentes, mas deixaram de ser os únicos responsáveis pela decisão.
Hoje, áreas como:
- Finanças
- Jurídico
- Operações
- Gestão de Riscos
- Alta Liderança
participam ativamente da avaliação.
Essa mudança exige uma abordagem diferente por parte dos fornecedores.
O argumento técnico continua importante, mas já não é suficiente sozinho.
“O desafio deixou de ser só demonstrar capacidade técnica. Hoje, quem vende segurança precisa mostrar por que aquele investimento importa para a operação, para a continuidade, para a redução de risco e para o resultado do negócio.”
Não por acaso, 73% das organizações já utilizam metas de negócio como critério principal para compras de cibersegurança.
O desafio de traduzir segurança para o board.
Outro insight importante da entrevista envolve a relação entre segurança e liderança executiva.
Segundo os dados apresentados:
- 93% dos membros de conselhos enxergam o risco cibernético como ameaça ao valor do acionista.
- 90% dos diretores não executivos não acreditam que estejam recebendo o nível adequado de proteção pelo custo investido.
Esse cenário cria um novo desafio para líderes de segurança.
A questão deixa de ser apenas tecnológica e passa a envolver comunicação, alinhamento e construção de consenso.
“Cada vez mais, a segurança precisa ser explicada em linguagem executiva. O comprador quer entender o impacto prático da decisão. Quer saber o que está em risco e qual valor aquela proteção sustenta.”
Traduzir risco técnico em impacto de negócio tornou-se uma das competências mais importantes para líderes de segurança.
A Nova8 apoia empresas e parceiros na construção dessa jornada, conectando tecnologia, governança e critérios de decisão para diferentes públicos dentro da organização.
O papel do CISO “sense-maker”
Dentro desse contexto, Luan destaca uma figura cada vez mais relevante: o CISO capaz de conectar tecnologia e negócio.
Segundo o estudo mencionado, apenas 10% dos líderes de segurança conseguem traduzir a complexidade técnica de forma suficientemente clara para obter consenso do board.
Isso reforça a necessidade de construir narrativas executivas que conectem proteção, risco, custo e geração de valor.
Para o ecossistema de parceiros, essa capacidade passa a ser um diferencial competitivo importante.
Como o Centro de Excelência da Nova8 ajuda a transformar tendência em ação?
Os desafios apresentados ao longo da entrevista ajudam a explicar por que iniciativas de capacitação, orientação estratégica e aceleração de maturidade vêm ganhando espaço.
É nesse contexto que o Centro de Excelência (CoE) da Nova8 atua como um hub de conhecimento, capacitação e suporte especializado para parceiros e empresas.
O objetivo é ajudar organizações a transformar tendências de mercado em iniciativas concretas, conectando tecnologia, risco e resultado de negócio.
Por meio do CoE, a Nova8 apoia jornadas de:
- AppSec e desenvolvimento seguro;
- Segurança de APIs e proteção contra bots;
- Cloud Security e CNAPP;
- Programas de Security Champions;
- Threat Modeling;
- Gestão de vulnerabilidades;
- Capacitação técnica e executiva;
- Enablement de parceiros e MSSPs.
Em um cenário onde a segurança precisa ser justificada para diferentes áreas da organização, o acesso a conhecimento especializado torna-se tão importante quanto a própria tecnologia.
Quatro mensagens para os próximos anos
Ao consolidar os principais pontos da entrevista, quatro mensagens emergem com clareza:
1. O dinheiro mudou de lugar
Os investimentos continuam crescendo, mas estão sendo direcionados para IA, GenAI e cibersegurança.
2. A ameaça evoluiu
Ataques se tornam mais rápidos, automatizados e potencializados por inteligência artificial.
3. O comitê de compra expandiu
Segurança tornou-se uma decisão multidisciplinar e cada vez mais executiva.
4. Parcerias definem vencedores
Organizações valorizam cada vez mais parceiros capazes de conectar tecnologia, contexto e geração de valor.
Como resume Augusto Campos, CEO da Nova8:
“A tecnologia continua central. Mas, em um cenário mais exigente, o diferencial real está em reduzir incerteza, conectar proteção a valor de negócio e ajudar o cliente a tomar decisões com mais clareza.”
Conclusão
A leitura apresentada por Luan Barros mostra que a próxima fase da cibersegurança será menos definida pelo volume de tecnologia adotada e mais pela capacidade de priorizar, justificar e integrar decisões dentro da lógica do negócio.
A segurança continua sendo uma disciplina técnica. Mas tornou-se também uma disciplina estratégica.
Para empresas, lideranças e parceiros de canal, o desafio não é apenas proteger melhor.
É conectar proteção, inovação e geração de valor de forma cada vez mais clara.
Converse com especialistas do Centro de Excelência da Nova8
As tendências apontadas por Luan Barros exigem mais do que tecnologia. Exigem contexto, priorização e capacidade de execução.
O Centro de Excelência da Nova8 apoia empresas e parceiros na avaliação de maturidade, definição de estratégias e adoção das tecnologias mais adequadas para cada cenário.